A Oração que Transforma


Olá, tudo bem? Espero que sim. Já se passaram algumas semanas após nossa última reflexão, neste tempo estive colocando em prática a terceira publicação do SOS carmelitano. Como foi explanado nas outras publicações, se trata não de um pedido de socorro, ou talvez seja, dependendo de cada perspectiva, mas, da vivência pessoal do Silêncio, da Oração e da Solidão.

Ao trilharmos este caminho, que não se trata de uma reflexão dogmática ou científica, desejo partilhar com vocês minha experiência enquanto prática orante, dialogal e contemplativa, aquilo que vivencio em meu diálogo para com Deus. E por meio desta experiência chegamos a nossa terceira e última publicação sobre o SOS carmelitano. 

Ora, como vimos ao refletirmos sobre o Silêncio e a Solidão nas duas primeiras publicações, a solidão traz à luz nossos monstros interiores e o silêncio dá voz aos monstros que tanto nos assustam e por vezes temos a tendência de fugir por medo, porém, é por meio da oração que perdemos este medo e aprendemos a dialogar, a falar e buscar entender, e por meio deste entender a mudar, a criar novas perspectivas e um novo caminho, a oração que transforma.

João da Cruz nos ensina que a solidão é povoada, por meio dela escutamos a voz do amado, e mesmo quando parece que estamos sozinhos, nós não estamos, na perspectiva espiritual, Deus ali está, e na perspectiva humana, nos encontramos conosco e com nossos monstros, independente de qual perspectiva você escolha vivenciar é necessário que se tenha em mente o poder e a necessidade da oração, ou seja, do diálogo.

Quando paramos para ver na solidão, nossos monstros, nossas dores, nossas fragilidades, nossos pecados e misérias, e no silêncio damos voz a elas, precisamos por meio da escuta, aprender a dialogar, seja com Deus, pedindo orientações de como prosseguir ou o que fazer, ou consigo, se auto avaliando e se propondo a realizar a mudança necessária.

Sim. Não adianta poder ver onde erramos, escutar nossa condenação se não estamos abertos a mudança que grita dentro de nós, e neste momento eu já gostaria de lhe convidar a praticar esta reflexão.

Você está disposto a dialogar, seja com Deus ou consigo, e a partir deste dialogo, se transformar?

Mas do que um vírus que mata e assusta a todos, que nos isola e nos violenta tirando de nós aquilo que temos como rotina comum, gostaria de lembrar que este período, é um tempo de renovação, de auto avaliação, de autoconhecimento, é um período propício a mudanças. Sim, o que acabo de falar, parece clichê, pois vemos tantas pessoas dizendo a mesma coisa, porém, acabamos por ignorar este convite, e esquecemos de procurar uma luz em meio a toda treva que nos envolve neste tempo. Lembremos, que se faz necessário estarmos abertos ao novo.

Nos dizeres da grande Tereza D’Avila, “Tudo Passa. Só Deus não Muda”, logo, nós meros mortais mudamos e somos convidados a mudar, a evoluir, a crescer espiritualmente e humanamente falando, e é por meio da oração, deste dialogo com Deus e consigo que fazemos isso.

A oração é um convite à ação, à prática da caridade espiritual e humana, é um chamado a ser melhor, a amar sem medidas. Na oração rogamos e suplicamos pelo nosso próximo, pedindo ao arquiteto do universo sua proteção e benção.

É também na oração, no diálogo, que nos reconhecemos pequenos, e que só, não podemos caminhar, pois necessitamos de cuidado, mais também necessitamos de aprender a cuidar, à olhar para nosso próximo e suas necessidades, a se fazer irmãos.

Dialogamos com nossas falhas e abraçamos um novo ser, que como uma fênix, renasce, se propondo a uma nova vida, saindo das cinzas do passado, construindo um hoje melhor.

Meus amigos, esta reflexão é um convite ao novo, a um gesto de humanidade, de cortesia, à uma mudança que se faz nos pequenos gestos, como o de desejar um bom dia a quem passa, de desejar o bem.

Não desejo neste momento me demorar, pois acredito que fui mais claro do que o comum, por isso gostaria de encerrar esta publicação lhe convidando a fazer o diferente neste dia, ao concluir esta leitura, levante-se se for possível, e diga as pessoas de sua casa o quanto você os amam, deseje ao seus vizinhos um bom dia, uma boa tarde, uma boa noite, mande uma mensagem para um amigo, colega, desconhecido, desejando uma boa semana, faça de sua oração um gesto concreto de amor, afinal “de que então serviria nossa prece de oração?”

Mas do que a alocução verbal de palavras sincronizadas em forma de prece, que expressão um momento de dor ou alegria, dentre tantos outros sentimentos que podemos usar para expressar em nosso dialogo orante, a oração é um convite a conversão humana em busca do nosso melhor, é um convite diário e autentico a mudança.

Vamos mudar! Ainda existe esperança.


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